PALMAS-TO

Roteiro

Relato da Viagem

Como estava prevista a visita a cervejaria FASS, em Frutal, Minas Gerais, no meio da tarde do dia 4, combinamos de sair cedo para fazer os mais de 800 kms de Curitiba-PR até Frutal-MG para chegar a tempo da visita. Marcamos a saída para as 4:30 hs da manhã e, conforme previsto, 4:35 hs saímos de Curitiba com bastante neblina e muito frio. Nos primeiros trechos tivemos que rodar em velocidade baixa, pois a visibilidade era pouca. A neblina nos acompanhou até umas 10 horas da manhã quase na divisa com o estado de São Paulo. Paramos para tomar um café da manhã em Castro-PR e nos esquentar um pouco com um chocolate bem quente. Conforme o velho ditado: "cerração que baixa, sol que racha". Dito e feito. A partir de Ourinhos-SP abriu um baita sol que esquentou bastante e nossa viagem pode render um pouco mais.

A medida que nos aproximávamos de Frutal-MG pela BR-153 passávamos por aquelas barraquinhas na beira da estrada que vendem abacaxi por preços bem baixos. Aquele cheirinho gostoso que vinha de cada barraca passada nos fez parar no meio da tarde para saborear alguns e conferir se eram realmente doces, mas alguns tinham pressa de chegar em Frutal-MG para tirar a poeira da garganta com a FASS.

Chegamos em Frutal-MG por volta das 16:30 hs e paramos na praça da entrada da cidade para ligar pro Coré e descobrir onde era a cervejaria. Nem foi preciso o telefonema, pois logo em seguida parou um carro com um casal e nos perguntou se nós éramos a turma que vinha de Curitiba-PR, respondemos que sim e logo ele nos levou até a cervejaria para encontrar os demais amigos que estavam fazendo a visitação.

Ao entrarmos na FASS encontramos muitos amigos motociclistas já saindo da primeira parte da visitação, junto com o amigo Coré, a prefeita de Frutal-MG e o guia para a visita. Após conhecermos um pouco sobre o processo de fabricação da cerveja, fomos agraciados pela degustação diretamente no tonel. Eram muitos litros de cerveja que não conseguimos dar conta de tudo, mas acho que mais umas duas horinhas ali poderíamos esvaziar os tonéis, rsss....

Na saída da cervejaria dei carona para a prefeita de Frutal-MG para fazermos um giro pela cidade antes de chegar no hotel. A cidade parou para ver aquele bando de motociclistas desfilando suas possantes máquinas.

A noite reunimos o grupo em uma pizzaria na cidade para jantar e novamente tomar mais umas FASS. Acabamos ficando por lá até mais de meia-noite e retornamos para o hotel descansar o esqueleto, pois tínhamos acordado bem cedo para motocar até Frutal-MG e no dia seguinte tínhamos mais alguns kms para esticar até Goiás.

No dia 5 acabamos saindo meio tarde de Frutal-MG e rodamos pela BR-153 rumo ao norte. Ainda não sabíamos onde iríamos dormir, mas eu tinha combinado com o Paulada, de Anápolis-GO, que passaria as informações durante a viagem, pois ele e mais alguns amigos da região tinham combinado de nos acompanhar até Palmas-TO.

Paramos para almoçar no Quiosque do Júnior, que fica na beira da estrada entre Goiânia-GO e Anápolis-GO lá pelas 14:00 hs. De lá liguei pro Paulada e informei que deveríamos dormir um pouco mais pra frente de Anápolis-GO, a fim de reduzir o trecho do dia seguinte até Palmas-TO. Combinamos que assim que tivéssemos instalados, ligaria para ele passando as informações do local de hospedagem e marcaríamos o horário de encontro no dia seguinte.

Paramos para dormir em Jaraguá-GO, uns 100 kms depois de Anápolis-GO. Depois de estarmos devidamente hospedados e já no boteco tomando umas geladas para tirar a poeira da garganta, liguei pro Paulada para marcarmos o encontro do dia seguinte. Foi quando o Paulada informou que alguns parceiros dele que viajariam junto acabaram tendo problemas e ele não poderia mais nos acompanhar, deixando para uma próxima oportunidade. Foi uma pena, porque se soubesse disso antecipadamente, teria dado uma paradinha em Anápolis-GO para um abraço no grande amigo Paulada.

Num dos barzinhos que paramos para beber umas geladas acabamos conhecendo alguns motociclistas locais. Um deles trabalha em Brasília e a família mora em Jaraguá-GO, inclusive sua filha também mora na cidade e é motociclista. Após aproveitarmos as geladas naquele baita calor da região centro-oeste nesta época do ano, fomos descansar o esqueleto para a continuidade da motocada no dia seguinte.

Combinamos a saída para as 9 horas para dar tempo de rodar os 700 kms até Palmas-TO. Nós não tínhamos idéia de como estava a estrada até Palmas-TO, mas pelas informações que pegamos com algumas pessoas a estrada estava boa, com ressalto apenas a alguns trechos que deveríamos ter mais cuidado por falta de sinalização. Realmente constatamos isso e tivemos um problema com uma queda do Julio Botto. Como a estrada era de mão única, vários momentos o bonde não estava todo junto, pois alguns momentos, conforme íamos ultrapassando alguns caminhões o bonde se separava um pouco e se juntava novamente logo a frente. Num destes momentos, eu que estava puxando o bonde, já estava um pouco a frente e observei uma lombada sem qualquer sinalização num pequeno vilarejo. Esta lombada não tinha sinalização com placas antes, nem no local e muito menos pinturas. Ao ver aquela lombada, reduzi um pouco e acelerei, conforme manda a regra: "Na dúvida, acelere !!!" Acabei passando rapidamente e com um pequeno salto pela lombada. O Julio Botto, que veio alguns metros após, não teve a mesma sorte, pois a sua moto acabou derrapando e ele comprou um terreninho ao deslizar com muito óleo acumulado antes da lombada. Como observei no retrovisor que o bonde não vinha atrás, reduzi bastante a velocidade para aguardar até que parei no acostamento. Neste momento passou um carro com a mulher falando um monte de coisas na janela e que eu não entendi nada, só entendi o braço do motorista para fora fazendo sinal de que "deu merda". Fiz o retorno e voltei para ver o que estava acontecendo. Estes 3 ou 4 kms que voltei foram os mais compridos da viagem, pois neste momento passa tudo pela cabeça. Como não se tem idéia do que aconteceu a cabeça começa a imaginar um monte de coisas. Felizmente ao chegar no local vi que todos estavam bem e em pé. O Julio Botto com alguns arranhões foi logo levado de carro pelo Leo até um pronto-socorro daquele vilarejo para fazer os curativos. Enquanto aguardávamos verificamos o estado da moto dele para ver se dava para prosseguir viagem. Observamos várias partes raspadas nos alforges, manetes, pedaleiras tortas e retrovisor solto. O manete do freio dianteiro estava travado com as hastes das saídas dos cabos, mas isto conseguimos ajeitar ainda no local, deixando a moto livre para rodar. Pegamos informações com algumas pessoas locais que nos disseram que dali a uns 60 kms tinha a cidade de Uruaçú-GO onde poderíamos conseguir alguém para arrumar as peças tortas. Aguardamos o retorno do Leo com o Julio Botto para ver qual seria o desejo dele, se seguiria viagem ou não. Assim que chegaram, o Julio Botto espontaneamente veio dizendo que estava tudo certo e perguntando se dava para rodar com a moto. Parabéns ao Botto que foi herói em não desanimar com este imprevisto e seguir viagem. Combinamos de seguir em velocidade baixa até Uruaçú-GO e ver o que poderíamos fazer para arrumar a moto. A idéia era só desentortar o que fosse necessário para seguir viagem e, em Palmas-TO, levar a uma concessionária yamaha para os devidos consertos. Chegamos em Uruaçú-GO e levamos muita sorte em encontrar a pessoa certa. Enquanto o cara arrumava a moto, aproveitamos o tempo para almoçar. Depois o Botto foi refazer os curativos no pronto-socorro da cidade. Ao retornar para a oficina verificamos que o mecânico foi muito eficaz e deixou a moto perfeita, com tudo funcionando corretamente. Só ficaram mesmo os arranhões no manete, peladeira e alforges que não tinha como arrumar ali. Com este imprevisto seguimos viagem e acabamos chegando um pouco tarde em Palmas-TO. Mesmo assim, o Ricardo, filho do Waldir, nos aguardava para um churrasquinho de carne-de-sol em sua casa. O Botto foi logo para o hotel tomar um banho, refazer os curativos e descansar, enquanto nós ficamos na casa do Ricardo papeando, degustando o churras e tomando umas geladas. Falamos muito sobre a persistência do Botto em seguir viagem, pois aquela era sua primeira viagem um pouco maior e já teve a tristeza deste imprevisto. Mesmo assim foi persistente e continuou a viagem. Agora que já estava tudo bem, rimos muito de várias situações da viagem, inclusive ficamos sabendo que o Leo e o Edson, que nos acompanhavam de carro, já tinham arrumado apelido para cada um de nós, Tchuk 1 (Mazzo), Tchuk 2 (Julio Botto), Tchuk 3 (Veríssimo) e Tchuk 4 (Waldir). Falaram inclusive que as vezes pintava um sub-zero no meio do bonde. Eram aqueles motoqueiros que nos acompanhavam enquanto passávamos pelas cidadezinhas. Ali mesmo o Leo e o Edson também receberam os devidos apelidos (Batman e Robin). O carro do Leo era hidramático, mas diz que o Robin (Edson) vinha trocando de marcha o tempo todo, rssss....

Fomos para a pousada Alfredus, onde o Julio Botto já estava instalado e no dia seguinte nos encontramos no café da manhã. O Waldir já tinha combinado com o Ricardo para nos pegar na pousada por volta do meio-dia para comermos um peixe Tucunaré na beira do rio. Logo após o café da manhã começamos a planejar o retorno, pois desejávamos fazer outro roteiro para conhecer também as outras estradas da região. Conhecemos o dono da pousada, um senhor muito simpático e falador, com seu jeito meio mineiro de falar. Ele nos deu algumas dicas de roteiro até Brasília-DF que nós acatamos e já deixamos rabiscado no mapa.

Fomos para a beira do rio comer o peixe e tomar mais umas geladas. Acabamos passando o dia naquele local e aproveitamos para ver o pôr-do-sol que é muito bonito em Palmas-TO.

A noite fomos numa tal de terçaneja. É um barzinho próximo ao centro da cidade que rola toda terça-feira show com banda sertaneja.

No dia seguinte, quarta-feira, fomos para a Praia do Prata. É um local na beira do rio onde são colocadas as cadeiras dentro do rio e pode-se deliciar com peixes frescos e geladas enquanto refresca-se com os pés dentro da água. Este local tem uma área cercada com telas para as piranhas não atacarem os banhistas. Ficamos nesta "praia" o dia todo e até fomos entrevistados pelo pessoal da Secretaria de Turismo de Palmas-TO. Eles ficaram abismados com nossa façanha de ir até lá de moto e nos convidaram a pegar um kit com informações do estado lá na secretaria antes de irmos embora.

A noite fomos conhecer outro barzinho onde os motociclistas da cidade se reúnem as quartas-feiras. Encontramos o pessoal dos Doger's que nos receberam muito bem e contaram muitas histórias das suas motocadas, começando pelo nome do motoclube deles, que foi criado com este nome porque é igual aos carros. Antigamente era jovem, bonito, fazia sucesso e todo mundo queria. Hoje é velho, beberrão, só faz fumaça e ninguém quer.

Quinta-feira, dia 9, pegamos novamente a estrada com destino ao sul. Fizemos um roteiro alternativo por estradas que passam por outras cidadezinhas, saindo por Porto Nacional-TO, Natividade-TO e chegando a Alto Paraíso de Goiás-GO, na Chapada dos Veadeiros, onde paramos para dormir. Conhecemos um pouco da cidade mas descobrimos que o forte daquela região são os passeios eco-turísticos e a cidade é utilizada somente para pouso. A cidade tem uma pequena rua principal onde se concentram os barzinhos e pizzarias noturnas para aqueles que estão hospedados nas pousadas da cidade e fazendo os passeios durante o dia.

No meio do caminho, teve um motociclista com uma V-Strom que passou o bonde todo, se afastou para a direita e abriu o capacete pedindo para cada um passar e foi se apresentando. Na sequência ele nos acompanhou até a próxima cidade onde paramos para abastecer e nos apresentamos. Tivemos a grata satisfação de conhecer o Alexandre, da facção "Bochi Brum" dos Bodes do Asfalto do Rio Grande do Sul. Hoje ele mora em Palmas-TO onde tem negócios e estava indo visitar um possível cliente em uma cidade próxima. Almoçamos juntos em Arraias, nos despedimos e seguimos viagem.

Na sexta-feira continuamos a viagem com destino a Uberaba-MG, ainda por estradas alternativas e com muito pouco trânsito de caminhões. Este roteiro do retorno é um pouco mais longo, cerca de 400 kms, mas já havíamos previsto isso e programamos um dia a mais no trajeto do retorno.

Como foram mais de 800 kms de Alto Paraíso de Goiás-GO até Uberaba-MG, acabamos chegando meio tarde na cidade. Um motociclista local, mas que estava de carro com sua namorada, nos encontrou na cidade e indicou um hotel bom e barato. Combinamos de jantar e depois encontrá-los na Cachaçaria da cidade. Depois de jantar numa churrascaria, fomos até a tal Cachaçaria para encontrá-los, mas já era tarde e acabamos não os encontrando, então fomos para outro ponto da cidade num barzinho para tomar as geladas saideiras.

No sábado tínhamos programado de tocar até Piracicaba-SP para comer um peixinho ao lado do rio Piracicaba, mas logo pela manhã, no horário combinado para partida, a moto do Julio Botto não queria funcionar de jeito nenhum. Como o hotel era numa descida, empurramos a moto até uma oficina logo abaixo do hotel, onde o mecânico constatou que não tinha faísca nas velas e que deveria ser um problema elétrico, indicando outra oficina especializada em motos maiores ali perto. Ao chegar na oficina e relatar o que estava ocorrendo e as tentativas do mecânico anterior, logo desmontaram os bancos e o tanque para averiguação. Após alguns testes constataram que era problema numa tal bobina de pulso. Como não tinham aquela peça, nem mesmo na yamaha deveria de ter, sugeriram tentar adaptar uma da CG, mas levaria algum tempo, pois precisaria abrir a parte esquerda do motor.

Sem alternativa, deixamos a moto ali e fomos comer alguma coisa, pois nessas alturas já passava do meio-dia. Encontramos somente um mini-mercado e panificadora que tinha a famosa televisão para cachorro (frango assado). Compramos três frangos e destroçamos os bixinhos ali mesmo, junto a companhia dos agradáveis e faladeiros donos.

A moto do Botto acabou ficando pronta, com a tal peça adaptada da CG lá pelas 16 horas. Já tínhamos descartado a idéia de ir até Piracicaba-SP porquê não daria tempo, então pegamos a estrada para ver onde pararíamos para dormir naquele dia e diminuir o último trecho da viagem no domingo. Logo uns 100 kms depois de Uberaba-MG começou a esfriar e ventar muito. O vento jogava tanto as motos de lado que o Botto até achava que a moto dele não tinha ficado boa. Mas ele ainda não tinha a experiência dos ventos laterais na estrada. Era o rabo de um vendaval que tinha passado na região pouco antes de chegarmos por ali.

Logo adiante anoiteceu e acabamos pegando muita chuva, então resolvemos ficar em Ribeirão Preto-SP mesmo e tomar alguns choops no famoso bar Pinguim. Acabamos rodando só 170 kms neste dia.

No último dia de viagem, assistimos a largada da Fórmula 1 no hotel e zarpamos em seguida com destino a Curitiba-PR pelo caminho mais rápido e por estradas duplicadas. Numa das paradas, próxima a Leme-SP, um pessoal que viajava de carro nos questionou se éramos mesmo de Curitiba-PR, conforme estava escrito em nossos coletes. Após respondermos que sim, eles comentaram: "Vocês estão longe em? Chegam em Curitiba-PR ainda hoje?". Mal sabiam eles que já estávamos nos sentindo em casa, pois estávamos muito perto para quem já tinha rodado mais de quatro mil kms pelo Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Tocantins.

Chegamos em casa no início da noite de domingo, dia 12/07/2009, felizes com 4.600 kms mais jovens e muitas histórias para contar.